quarta-feira, 13 de junho de 2007

Resumo:



PRETO, Nelson de Luca. A educação num mundo de comunicação. In: PRETO, Nelson de Luca. Uma escola com/sem futuro. Campinas, SP:Papirus, 1996.

Apesar do universo audiovisual dominar o mundo contemporâneo, a escola ainda está fundamentada apenas no discurso oral e na escrita, centrada em procedimentos dedutivos e lineares.
A sociedade começa a aceitar e a incorporar os avanços do mundo tecnológico e da comunicação. Todo um aparato tecnológico está chegando e sendo incorporado às atividades cotidianas das pessoas, mas não igualmente para todos em todas as partes do mundo, o que não quer dizer que estas pessoas não estejam envolvidas com essa nova cultura tecnológica. E existem pessoas que ainda possuem uma certa resistência e/ou dificuldade na interação com esses novos símbolos do mundo atual.
Com a proliferação generalizada de imagens pelos meios de comunicação é possível afirmar que o analfabeto do futuro será aquele que não souber ler as imagens geradas pelos meios eletrônicos de comunicação. Esse analfabetismo está inserido e é conseqüência da ausência de uma razão imagética.
A superação desse analfabetismo das imagens, da comunicação e da informação não se dará exclusivamente por intermédio da escola, mas seu papel pode ser significativo se forem desenvolvidas políticas educacionais que valorizem, transformando-a no espaço para a formação do novo ser humano. Porém, sozinha, a escola não promoverá a transformação da sociedade.
O Brasil é um país onde o desenvolvimento no campo tecnológico e das comunicações vem acontecendo. No entanto, as políticas econômicas buscadas para dar conta desse avanço, deixam de lado questões básicas como saúde educação. É preciso uma nova política econômica e social que desenvolva um novo sistema educativo, estruturado em outras bases.
A sociedade brasileira vive uma crise, onde, por um lado, não conseguiu resolver os problemas mínimos propostos pela sociedade antropocêntrica; e por outro lado, convive já, com novos valores, introduzidos pela presença dos meios tecnológicos de comunicação.
Compreender mais claramente o papel dos sistemas de comunicação nas diversas culturas constitui-se como um desafio para muitos países.

A escola: da razão à imaginação
A nova escola brasileira, nesse contexto de transformação, precisa ser pensada como sendo uma instituição que possa trabalhar com uma multiplicidade de visões de mundo, numa perspectiva mais integral. A nova escola que se está construindo tem que ter na imaginação seu elemento mais fundamental; deverá estar centrada em outras bases, não mais reducionista e manipuladora; trabalhar na perspectiva de formar o ser humano programador da produção. E promover uma transformação no processo educativo.
Nessa proposta de trabalho a linguagem audiovisual se torna a linguagem da sociedade do próximo milênio.
A escola pode começar sua transformação fazendo uma análise do seu desempenho. Uma das dificuldades está no trabalho com as imagens, o que faz da escola uma instituição absolutamente inofensiva, uma vez que ela está inserida nessa civilização imagética. Além dos educadores se relacionarem com o mundo das imagens com grande preconceito.
De acordo com Babin (1983) a escola tem dificuldade em entender os jovens, uma vez que ela continua centrada em outros valores, em outra cultura, que é completamente diversa da dos jovens.
Os novos meios de comunicação chegam, por pressões, tanto da indústria de equipamentos e de entretenimento, que quer aproveitar o potencial do mercado educacional, como também, por meio dos alunos que me muitos casos já convivem com essas tecnologias cotidianamente. Porém, esses meios e os novos sistemas multimediais, para entrarem na escola, precisam adaptar-se ao ritmo, aos valores, ou seja, à lógica atual da escola.
Tanto a sociedade como um todo e a escola em particular, encontram inúmeras resistências em incorporar a imaginação, a afetividade, uma nova razão, não mais operativa e sim baseada na integridade e na globalidade.
E é nas áreas artísticas que encontram-se significativos trabalhos que vem contribuindo significativamente para a diminuição do chamado analfabetismo das imagens.
É preciso estabelecer uma maior aproximação entre escola e meios de comunicação e, isso poderia constituir-se em significativo passo na direção de uma transformação de ambos.

Em busca de uma cultura audiovisiva para a escola
Esse universo tecnológico tem que representar muito mais do que considerar a incorporação das tecnologias como instrumentalidades, como mais um recurso didático-pedagógico.
Existem muitas dificuldades, por parte de professores, em fazer uso desses meios, como a televisão e o vídeo, mesmo quando as escolas os possuem. O que faz com que seja comum encontrar esses equipamentos trancados em salas especiais sendo quase impossível a sua ágil utilização.
As crianças e os adolescentes estabelecem uma relação de quase intimidade com a televisão, num misto de identificação e fascinação.
Apesar das dificuldades encontradas na utilização do vídeo na educação, as experiências de incorporação deste estão presentes em todos os níveis de ensino. Porém essas experiências não estão contribuindo para a efetivação de uma cultura audiovisiva nas escolas.
O uso do vídeo pode dar-se como instrumentalidade, ou seja, quando ele é considerado apenas como mais um recurso didático-pedagógico; ou ser considerado como fundamento, onde os meios de comunicação passam a fazer parte da escola como um elemento carregado de conteúdo, como representante de uma nova forma de pensar e sentir.
A utilização desses recursos como fundamento da nova educação, transforma a escola qualitativamente do que vem sendo. Sua função passa a ser a de constituir-se num centro irradiador de conhecimento. O professor passa a ter função de comunicador, de articulador das diversas histórias, das diversas fontes de informação.

Uma escola com futuro
Para a promoção de uma escola com futuro é preciso que seja feita uma revisão urgente na formação dos professores e no papel das universidades públicas nessa área. E para que com a formação de novos professores se chegue mais perto dos alunos.
Esse novo educador não pode mais ser tratado como uma categoria profissional de segunda classe. Apesar do esforço pessoal de um considerável número de profissionais, a grande maioria dos professores de primeiro e segundo graus trabalha sem nenhuma autonomia, sem dignidade profissional. Assim, uma melhoria nessas condições de salário e trabalho se tornam prioritárias.
Trabalhar na formação do novo educador é premente, assim como, considerar no cotidiano da sua formação as questões da comunicação, da informação e das imagens. Preparar o professor para trabalhar com essa cultura audiovisiva.
Mas a incorporação dessas novas tecnologias pela escola deve se dar de forma crítica.
Para formar esses novos profissionais é preciso que haja uma transformação nas universidades, em especial as públicas.

As tentativas de um caminhar conjunto da educação com a comunicação
Com a criação, em 1936, em São Paulo, do Instituto Nacional do Cinema Educativo, idealizado por Roquete Pinto, o que se pode observar é que, mesmo naquela época, a preocupação básica estava apenas na aquisição dos equipamentos para a projeção de filmes. E o que de fato aconteceu foi a existência de um considerável número de equipamentos que nem sequer foram utilizados, por absoluto despreparo de profissionais e falta de material.
Uma outra vertente estava ligada ao ensino a distância, muitas vezes de caráter supletivo. Encontram-se aqui os primeiros esforços para a construção das televisões educativas no Brasil.
O Projeto Saci foi mais uma tentativa de se utilizar mais efetivamente a televisão na educação. Ele foi implantado experimentalmente no Rio Grande do Norte, no final da década de 1960. Esse projeto considerava que a televisão “poderia servir como fonte de informações e ponto focal para o desenvolvimento da comunidade, que poderia ser introduzida no quadro do ensino existente e que o satélite era o meio mais barato de se atingirem os objetivos em cinco anos”. Este projeto fracassou em meados da década de 1970.
Várias foram as iniciativas de se promover uma educação a distância. Porém, poucas foram as iniciativas oficiais nessa área, após o fracasso do Saci. Em 1986, o Ministério da Educação tentou revigorar esse projeto a partir do trabalho de uma comissão interministerial, constituída pela portaria n°3090/86, envolvendo os Ministérios da Educação e Comunicação, com o objetivo de estudar a “possibilidade de implementação de um sistema de educação básica via satélite”.
O Inep juntamente com a Funtevê prepararam um programa de pesquisa e ações que pretendia realizar o levantamento e organização da produção teórica; construir um acervo de materiais educativos de televisão e rádio; realizar ações de sensibilização visando ao aproveitamento educativo desses materiais. Porém a documentação dos seminários e propostas de trabalho foram arquivadas e pouco foi feito a partir daí.
A diretoria da Funtevê em conjunto com o conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), criaram o Projeto Universidade Vídeo, que, apesar do apoio quase unânime da comunidade universitária brasileira, mal começou a ser implantado e foi abandonado.
A reflexão teórica sobre a inter-relação educação e comunicação está mais próxima das faculdades de comunicação do que das de educação.
Outras iniciativas, por parte de empresas privadas, podem ser percebidas, como a Fundação Roberto Marinho, da Rede Globo de Televisão, que desenvolve o Projeto Vídeo Escola, para fornecimento de fitas de vídeos às escolas de primeiro e segundo graus.
Enfim, é preciso um maior envolvimento das universidades, visando à aproximação entre a educação e os novos recursos da comunicação, em especial para a formação dos futuros professores.




sexta-feira, 11 de maio de 2007

Estágio de Docência

Meu estágio realizou-se numa escola estadual, onde pude observar a existência de uma sala com computadores para uso exclusivo das professoas na realização de atividades, para serem usadas com as crianças nas aulas. Além desse tipo de tecnologia, a escola apresenta uma sala de vídeo e DVD. E a biblioteca também tem uma televisão com vídeo/DVD, onde as crianças podem, durante o recreio, assistirem a algum desenho e/ou outros, de acordo com a programação da bibliotecária.
A escola tem vários murais repletos de informações, além dos quadros e da criatividade de cada professora, que faz toda a diferença.
Na turma que fiquei durante este período de estágio a professora utilizou com as crianças apenas os recursos presentes em sala de aula, como: murais e quadro.